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Coordenador discute o Bullying



Professor Dr. Gualberto Gouvêia*

Ainda de maneira incipiente, mas cada vez mais, o bullying tem chamado a atenção de todos aqueles que trabalham com educação. Essa é uma prática antiga e diz respeito a qualquer tipo de aborrecimento infligido ao outro, seja por meio de um simples apelido ou mesmo uma agressão física.

Vivemos em uma cultura capitalista que é intolerante às diferenças e muitos pais reproduzem para seus filhos, nas mais diversas situações, seus conceitos sobre padrão de normalidade, etnias, orientação sexual, papel da mulher e do homem na sociedade, etc. Meninos aprendem desde cedo que devem ser fortes, valentes e “não levar desaforo para casa”. Nem todos conseguem e sabem que, se chegarem em casa e simplesmente chorarem por uma ofensa ocorrida da escola, sofrerão duplamente, pois serão duramente repreendidos pelos pais.

Nossa cultura incentiva as competições: os pais querem ver seus filhos no alto do pódio e quase não há lugar para simples diversão; as escolas promovem campeonatos esportivos; escolas de balé expõem crianças em programas de televisão... Em casa, expressões de amor são substituídas por presentes materiais: “Se passar de ano ganha um videogame!”. O que conta é a competição, a avaliação e, finalmente, o prêmio ou a punição.

Pode-se argumentar que vivemos nessa sociedade e que precisamos preparar as crianças para esse mundo extremamente competitivo. Por certo, mas o que se verifica hoje é um exagero nessas práticas que tem levado cada vez mais crianças a serem diagnosticadas com estresse, déficit de atenção ou hiperatividade. Caberá aos professores pôr um pouco de “ordem na casa”, mas não será uma tarefa fácil. 

Nas situações em ocorre o bullying, todos são afetados. Os praticantes considerarão a violência como um instrumento poderoso para conseguir seus objetivos. As vítimas se tornarão introspectivas, tímidas, sem coragem para enfrentar os desafios da vida, afastando-se do convívio com o grupo ou simplesmente partindo para a agressão aos colegas. Os espectadores aprenderão que é melhor não tomar partido, por medo de “sobrar” para eles.

Todos terão aprendido uma péssima lição sobre cidadania. Saberão que o melhor é concentrar-se em si mesmo, que os fins justificam os meios, que compartilhar não é atraente. Desenvolverão pouco interesse na ausência de recompensas (vale nota?), o “eu” só se firmará pelo status, pelos ganhos materiais e os outros serão vistos como competidores. Nada de solidariedade, os outros serão oponentes.

É fundamental que as escolas tenham projetos de combate ao bullying, que envolvam a comunidade escolar e todos aqueles que, de alguma maneira, podem ter um olhar diferenciado sobre a realidade. Não se trata de estabelecer um código de vigilância exacerbado. Trata-se de contribuir para a construção de uma sociedade mais humana, em que todos tenham o direito de ser diferente.

*Geógrafo e Doutor em Ciências da Religião, é coordenador de curso e professor da UNICAPITAL.

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